segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Os Borgias

Os nobres espanhóis Jofré Llançol i Escrivà e Isabel de Borja e Cavanilles tiveram cinco filhos: Rodrigo, Pedro, Joana, Tecla e Beatriu. O mais famosos deles foi Rodrigo de Borja y Borja, nascido em 1431.
Rodrigo Borja (ou Bórgia, FIG. 1) nasceu em Xátiva, perto de Valência, no Reino de Aragão. Seu pai morreu em 1437, quando ele tinha 6 anos. Em 1455, seu tio materno Alfons de Borja foi escolhido como Papa Callixtus III (FIG. 2), e isso influenciou Rodrigo a usar o nome Borja (da mãe) ao invés de Llançol (do pai). Ele tinha 24 anos.



Ele estudou em Bolonha, e formou-se em Direito, sendo nomeado diácono, após a eleição do tio. Em seguida, foi elevado a sacerdote, bispo e cardeal. Seu tio morreu em 1458, e ele serviu aos seus sucessores, Pio II (1458 a 1464), Paulo II (1464 a 1471), Sixto IV (1471 a 1484) e Inocêncio VIII (1484 a 1492).
Segundo consta, Rodrigo era inteligente, eloquente e muito estrategista, a ponto de comprar a sua eleição, em 1492, para tornar-se o Papa Alexandre VI. Nessa época, ele já era amante de Vannozza dei Cattanei (nascida em 1442, FIG. 3) e tinha alguns filhos com ela: Cesare (nascido em 1475), Giovanni (nascido em 1476), Lucrezia (nascida em 1480) e Gioffre (nascido em 1481).


Assim, quando ele foi eleito Papa, já tinha filhos com 17, 16, 12 e 11 anos. Cesare, aos 17 anos, foi nomeado arcebispo de Valência, cargo ocupado pelo próprio Rodrigo. Giovanni, por sua vez, foi nomeado Duque de Gandia.
Em 1493, Alexandre VI escreveu a Bula Inter Coetera, que definia a posse das terras descobertas por Colombo, em 1492. Como sabe-se, esse documento não foi aprovado por Portugal, e somente em 1494, com o Tratado de Tordesilhas, Portugal e Espanha chegaram a um acordo sobre as terras (FIG. 4)

Alexandre VI morreu em 1503. Seu filho Giovanni (FIG. 5) morreu antes que ele, assassinado em 1497, aos 21 anos. Era casado com Maria Enriquez de Luna, com quem teve três filhos: os gêmeos Juan e Francisca, e Isabel. Juan foi pai de São Francisco Borgia e as meninas seguiram vida religiosa.


Cesare (ou César, FIG. 6) foi educado para a Igreja, tendo se tornado arcebispo de Valência e cardeal, aos 18 anos. Mas, o que ele queria era ser soldado, como Giovanni. Há suspeitas do envolvimento de Cesare na morte de Giovanni. A questão é que ele foi o primeiro cardeal a renunciar ao cargo, em 1498, logo após a morte do irmão. No mesmo dia, o Rei Luís XII o nomeou Duque de Valentinois. No ano seguinte, casou-se com Charlotte de Albret, irmã do Rei João III de Navarra. Eles tiveram uma filha, Louise Borgia.


Cesare foi um grande estrategista, e seus maiores rivais foram Catarina e Ludovico Sforza. Aliás, o primeiro marido de Lucrezia Borgia (FIG. 7), irmã de Cesare e Giovanni, foi Giovanni Sforza, 14 anos mais velho que ela. Quando eles se divorciaram, ele a acusou de ter relações com o pai e com os irmãos. Mas teve que assinar um documento afirmando ser impotente, para poder anular o casamento.


Lucrezia Borgia tinha 13 anos quando se casou com Giovanni Sforza, e separou-se com 17. Segundo consta, ela teve um filho com um empregado de nome Perotto, enquanto requeria a anulação do casamento. A criança teria sido batizada como Giovanni e viveu até os 50 anos.
Em 1498, ela se casou com Alfonso de Aragão, que era um ano mais novo que ela e meio irmão de Sancha de Aragão, esposa de seu irmão Gioffre. Eles tiveram um filho, Rodrigo de Aragão. Mas Alfonso foi assassinado em 1500 (provavelmente por Cesare) e seu filho morreu em 1512.
Após a morte de Alfonso, Lucrezia casou-se, pela terceira vez, com Alfonso d'Este, Duque de Ferrara. O casamento durou 17 anos, e gerou oito filhos: uma filha natimorta, Alessandro (morreu no primeiro ano de vida), Ercole (próximo Duque de Ferrara), Ippolito (Arcebispo de Milão e Cardeal), Alessandro (morreu aos dois anos), Leonora (virou freira), Francesco (Marquês de Massalombarda) e Isabella (morreu no mesmo dia que nasceu).
Lucrezia Borgia morreu em 1519, 16 anos depois do pai e 12 depois do irmão. Teve fama de incestuosa, adúltera e envenadora de maridos. Seu filho Ercole (FIG. 8) deu continuidade ao Ducado de Ferrara, que durou até o Século XIX. Ippolito (FIG. 9) ficou famosos pela Villa d'Este, em Tivoli.



O último filho de Alexandre VI, Gioffre (FIG. 10), casou-se com Sancha de Aragão, que era amante de seus irmãos, Giovanni e Cesare (acredita-se que a morte de Giovanni tenha a ver com isso). Ele tinha 12 e ela tinha 16 anos, quando se casaram. Ele era fraco, sem visão política, e dominado pela esposa. Mas, quando ela morreu, em 1506, ele se casou novamente, com Maria de Mila de Aragão, com quem teve quatro filhos: Francesco, Lucrezia, Antonia e Maria. Eles governaram a cidade de Squillace, até 1735.




quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

LINHA DO TEMPO DA JOVEM GUARDA

NASCIMENTOS

1940 - Sérgio Reis e Roberto Correa (Golden Boys)


1941 - Roberto e Erasmo Carlos, Valdir Anunciação (Golden Boys), Sérgio Murilo, Ronaldo Luis Antonucci (Os Vips)


1942 - Ronaldo Correa (Golden Boys), Décio Scarpelli ("Dino", Deny e Dino), Demetrio Zahara Neto (Demétrius), José Gagliardi Jr. (Prini Lorez), Demerval Teixeira Rodrigues ("Neno", Os Incríveis), Eduardo Araújo, Ronaldo Cordovil (Ronnie Cord), Waldemar Mozema ("Risonho", Os Incríveis), Renato Cosme Vieira de Barros (Renato e seus Blue Caps)


1944 - Roberto Correa (Golden Boys), Domingos Orlando ("Mingo", Os Incríveis), Antonio Rosas Seixas ("Manito", Os Incríveis) e José Rodrigues da Silva ("Deny", Deny e Dino)



1945 - Wanderley Cardoso, Edson Vieira de Barros (Ed Wilson), Antonio Marcos, Márcio Augusto Antonucci (Os Vips), Rosemeire



1946 - Wanderlea e Regina Correa (Trio Esperança)


1947 - Jair Alves de Souza (Jerry Adriani), Luiz Franco Thomaz ("Netinho", Os Incríveis), Roberto Caldeira dos Santos (Bobby Di Carlo), Ronaldo Nogueira (Ronnie Von), Vanusa


1948 - Sílvia Lília Barrie Knapp (Lílian, Leno e Lilian), Waldireni Fraraccio ("A Garota do Roberto"), Mário Correa (Trio Esperança)


1949 - Gileno Osório Wanderley de Azevedo (Leno, Leno e Lilian), Marta Vieira Figueiredo Cunha (Martinha)


1951 - Eva Correa (Trio Esperança) e Silvia Maria Peixoto (Silvinha)


MOMENTOS MARCANTES

1957 - Aos doze anos, Wanderley Cardoso participa do LP de Mário Zan, com a canção do Jornaleiro. Enquanto isso, Otávio Terceiro descobre o jovem Roberto Carlos, que inicia sua carreira musical.


1958 - os irmãos Roberto, Ronaldo e Renato Correa, e um amigo (Valdir), formam o Quarteto Estrela. Wanderley Cardoso se apresenta nos palcos. Roberto inicia sua parceria com Erasmo Carlos e criam Os Sputniks. Tony (Sérgio, nascido em 1936) e Celly (Célia, nascida em 1942) Campello, gravam um disco. O Quarteto Estrela vira The Golden Boys e grava seu primeiro disco. Roberto Carlos decide parar com o rock e dedicar-se à bossa nova. Eduardo Araújo cria o trio The Play-Boys, que dura um ano. 


1959 - Celly Campelllo grava Estúpido Cupido. Tony e Celly Campello apresentam o primeiro programa de rock: Crush em Hi-Fi (TV Record de SP). Roberto Carlos grava seu primeiro disco, com dois sambas de Carlos Imperial. Surge o grupo The Rebels (futuro Os Incríveis). Sérgio Murilo grava Marcianita.


1960 -  início da carreira de Demétrius. Após o fracasso de seu primeiro disco, Roberto Carlos ainda tenta emplacar a bossa nova. Sérgio Murilo grava Blue Moon e outras canções (a moda era cantar em inglês). Renato Barros cria o Renato e seus Blue Caps. Sérgio Murilo grava Broto Legal e Diary. Ronnie Cord grava Oh Carol. Erasmo Carlos passa a acompanhar Roberto Carlos em suas apresentações. Roberto Carlos começa a gravar rocks românticos. Ronnie Cord grava Itsie Bitsy Teenie Weenie Yellow Polkadot Bikini


1961 - Jair Alves de Souza começa a se apresentar como "Jerry". O Trio Esperança, formado pelos irmãos mais novos dos Goilden Boys, se profissionaliza e grava seu primeiro disco. Escondida do pai, Wanderlea começa a cantar como crooner. Eduardo Araújo grava um disco com 4 músicas. Sérgio Murilo e Celly Campello ganham os títulos de "Rei" e "Rainha do Rock", da Revista do Rock. Rosemary e Sérgio Reis gravam seus primeiros discos. Demétrius grava Corinna Corinna, onde usa a palavra "gatinha", considerada muito avançada.


1962 - vários programas fazem sucesso nas rádios: Peça Bis Pelo Telefone e Hoje é Dia de Rock (Rádio Mayrink Veiga. do RJ), Ritmo Para a Juventude (Rádio Nacional, SP), e outros. Roberto Carlos grava Malena e Susie. Jerry passa a ser conhecido como Jerry Adriani. Desde 1961, Carlos Imperial "briga" com Chacrinha, acusando-o de "inimigo dos brotos". Ed Wilson sai do Renato e seus Blue Caps para gravar sozinho. Roberto Carlos desponta como "Rei da Juventude", no lugar de Sérgio Murilo. O Trio Esperança grava Filme Triste. Wanderlea grava seu primeiro disco. Eduardo Araújo encerra a carreira e vai criar gado, em MG.


1963 - O Trio Esperança grava O Passo do Elefantinho, Dominique e Bolinha de Sabão. Liebert Pinto, Pedrinho e Cleudir formam o The Fenders, futuro The Fevers. Roberto Carlos grava Splish Splash e Parei na Contramão. Erasmo Carlos canta como crooner do Renato e seus Blue Caps. Surge o The Clevers. Em Recife, surge o grupo The Silverjets, com Reginaldo Rossi. 


1964 - Os The Clevers gravam o disco Os Incríveis The Clevers e mudam seu nome para Os Incríveis. Demétrius grava Ritmo da Chuva. Surge o The Fevers. "Surge" o cantor Prini Lorez, o "Trini Lopez brasileiro". Ronnie Cord grava Rua Augusta e Biquininho de Bolinha Amarelinha tão Pequenininho. Os irmãos Antonucci criam os Vips. Prini Lorez grava La Bamba e Cielito Lindo. Roberto Carlos grava É Proibido Fumar e O Calhambeque. The Bellls grava O Menino da Porteira (instrumental). Wanderlea grava Meu Bem Lollipop, Capela do Amor e Exército do Surf. Wanderley Cardoso grava seu primeiro disco. Erasmo Carlos grava Minha Fama de Mau


1965 - Meire Pavão é a nova "Rainha da Juventude". Roberto Carlos grava Aquele Beijo Que Te Dei, Não Quero Ver Você Triste e Quero Que Vá Tudo Pro Inferno. Erasmo Carlos grava Festa de Arromba. Renato e Seus Blue Caps gravam Menina Linda e Gatinha Manhosa. The Bells gravam O Escândalo. É criado o programa Jovem Guarda, na TV Record, e apresentado por Roberto e Erasmo Carlos, além de Wanderlea. Os Golden Boys gravam Ai de Mim. Surge a dupla Deny e Dino. Wanderlea grava Ternura. Jerry Adriani grava Querida. Os Golden Boys gravam Alguém na Multidão. Surge a dupla Leno e Lílian


1966 - O Trio Esperança grava A Festa do Bolinha. Leno e Lilian gravam Pobre Menina e Devolva-me. Eduardo Araújo grava O Bom. Roberto Carlos grava Esqueça, Nossa Canção e Eu Te Darei o Céu. Surge o cantor Ronnie Von, que grava Meu Bem e apresenta O Pequeno Mundo de Ronnie Von, na TV Record. Wanderley Cardoso participa dos Adoráveis Trapalhões, com Renato Aragão, Ted Boy Marino e Ivon Curi. 


1967 - Roberto Carlos grava Namoradinha de Um Amigo Meu, Eu Daria Minha Vida e Como É Grande O Meu Amor Por Você. Erasmo Carlos grava O Tremendão e Vem Quente Que Eu Estou Fervendo. Os Golden Boys gravam Pensando Nela. Sérgio Reis grava Coração de Papel. Ronnie Von grava A Praça. Wanderley Cardoso grava O Bom Rapaz. Waldirene grava A Garota do Roberto e Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim. Renato e seus Blue Caps gravam A Primeira Lágrima. Os Incríveis gravam Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones. Wanderlea grava Prova de Fogo. Wanderley Cardoso grava Doce de Coco. Roberto Carlos participa do filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura. Leno e Lilian separam-se , e ela casa com Márcio Antonucci, dos Vips. 


1968 - Chega ao fim o programa de Ronnie Von. Roberto Carlos sai da Jovem Guarda e se casa com Nice. Os Incríveis vão se apresentar no Japão e gravam Kokorono Niji e O Milionário. Chega ao fim o programa Jovem Guarda






segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O RITO DE PASSAGEM ou A FESTA NA CASA DA HELÔ

O Rio de Janeiro já foi Capital Federal, até que Brasília lhe tirasse o título (mas não a "majestade"). E, naquele Réveillon de 67 para 68, o Rio de Janeiro deveria ser a sede das principais festas do país, ou ao menos a que atraía a intelectualidade, os políticos e os nomes clássicos, das famílias "de colunas sociais".

Zuenir Ventura comenta uma dessas festas, em seu livro: o "Réveillon da casa da Helô": a escritora Heloísa Buarque de Holllanda (1939/, na foto abaixo) e seu então esposo, o advogado Luiz Buarque de Hollanda (1939/) realizaram uma das festas do ano mas, nas palavras de Zueniir, "permanece como um misterioso marco", e forneceu o material "com que se fazem os mitos".

As colunas sociais pouco falaram desse evento, mas sabe-se que era "metade gente de cinema e teatro novo; a outra metade, grupos de jovens assessores lacerdistas". Ali estavam o escritor e jornalista Elio Gaspari (1944/), a atriz, roteirista, escritora e colunista Maria Lúcia Dahl (1941/), o cineasta Glauber Rocha (1939/1981), o cantor e compositor Geraldo Vandré (1935/), o desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista Milllôr Fernandes (1923/2012), o editor Ênio Silveira (1925/1996), o fotógrafo e pintor Carlos Vergara (1941/), o empresário Fernando Gasparian (1930/2006), a artista plástica Regina Vater (1943/), o diretor de fotografia Affonso Beato (1941/), o diretor Luiz Carlos Barreto (1928/), o autor de novelas Antônio Calmon (1945/), a atriz Florinda Bolkan (1941/) e a produtora e atriz italiana Marina Cicogna (1934/), com quem tinha um relacionamento ("Este, sim, era um casal moderno", segundo Zuenir.

Segundo o escritor, houve de tudo: excessos etílicos (um advogado, ao pedir "dois uísques", recebeu duas garrafas), discussões acaloradas (Ênio Silveira e Carllos Vergara), "papos cabeça" (Vandré e Millôr), escândalos (Maria Lúcia Dahl levando uma bofetada do marido, por estar dançando com outro), separações de casais que se diziam modernos, mas não deram conta de tanta liberdade (17, segundo Zuenir). "Houve um momento em que quase todos os presentes, de alguma maneira, apanharam ou bateram — e até hoje não sabem bem por quê." "A casa ficou inteiramente destruída", lamenta até hoje Luiz Buarque de Hollanda. Sobraram umas 100 garrafas de uísque, que foram vendidas para pagar parte da reforma geral.

Mas também dançou-se muito: Roberto Carlos, Beatles, Caetano, Chico e Miriam Makeba ("Quando o baile ameaçava desanimar, bastava repetir: "Sacundunga, sacundenga, auê pata-pata.")

A "Análise da festa":

Ao longo desses 20 anos, houve muitas hipóteses para tentar explicar aquela explosão de sexualidade, violência, prazer e ansiedade, que marcou tanto as reminiscências da época. É possível realmente que o "Réveillon da casa da Helô" tenha condensado, como uma metonímia, o país de então. Ênio Silveira acha que aquela grande libação significou "o fim de uma época e não, infelizmente, o começo de uma nova". "Foi um delírio coletivo", explica Calmon. "Todas as crises internas explodiram ali. Pessoas com problemas sexuais, como eu, que não conseguiam transar com isso, uniões infelizes, fantasias não realizadas, violências reprimidas, a perda na fé política, veio tudo à tona." O som, a bebida, a euforia desorientada, uma excitação meio agônica, não deixavam, porém, que se percebesse isso. Nem isso, nem o que iria ocorrer com o país.


domingo, 7 de janeiro de 2018

ALEXANDER DUBCEK

Ele nasceu em 1921, na Tchecoslováquia, mas foi criado na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Retornou para seu país em 1938 e em 1939, entrou para o Partido Comunista de seu país.

Em 5 de janeiro de 1968, Dubček tornou-se Primeiro Secretário, uma espécie de Presidente do país.E, no Governo, pretendia abrir o país ao Ocidente, com maior democracia, no que era apoiado por grande parte da população.

Mas, em Agosto, as tropas soviéticas invadiram a Tchecoslováquia. Dubček e outros cinco membros do Presidium foram sequestrados pela policia soviética de ocupação e levados a Moscou, onde "lhes fizeram entrar na razão".

Os acontecimentos de 68, na Tchecoslováquia, ficariam conhecidos como Primavera de Praga. Ainda falaremos mais desses acontecimentos, que tiveram início em 5 de janeiro, quando Dubček assumiu o Governo.

Ele morreu em 1992.


SOBRE 1968

Eu nasci em 1968. Mais precisamente, em setembro de 1968. Por isso, quando soube que havia um livro intitulado "1968, O Ano Que Não Terminou", fiz questão de ler, pois queria saber que papo era aquele de "um ano não terminar".
O livro é do escritor Zuenir Ventura (1931/), e faz um retrato do Brasil e do mundo naquele ano, que parecia ser o ano em que tudo desembocava num processo de grandes mudanças...
Os protagonistas de muitas das páginas do livro são os jovens, nascidos no Pós-Guerra (1945), que tinham 10 anos no meio dos "Anos Dourados", que cresceram junto com a Guerra Fria, e chegavam às faculdades nos Anos 60. E eram esses jovens que queriam um mundo novo, e seguiam ídolos como Che Guevara, queriam usar minissaias, viravam hippies, ouviam Beatles e Rolling Stones, e tentavam compreender o que significava "é proibido proibir", "paz e amor", "flower power" e outros, que estavam na moda...
Esse ano, completam-se 50 anos daquele ano tão cheio de nuances.
Por isso, penso em postar muita coisa sobre o assunto, principalmente para os jovens de hoje, e por ser um provável tema de vestibulares e Enem. Mesmo que não seja, faço pelo prazer saber como era o mundo quando eu nasci, e como está hoje, cinquenta anos depois...



sábado, 6 de janeiro de 2018

BELCHIOR

Antônio Carlos Belchior nasceu em Sobral, Ceará, em outubro de 1946. Era filho de Otávio Belchior Fernandes e Dolores Gomes Fontenelle Fernandes. Ainda criança, cantava em feiras e fazia repentes, além de estudar canto coral e piano. Tinha tios poetas e boêmios. Em 1962, mudou-se para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Começou a estudar Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Nesse mesmo ano, gravou um compacto com duas músicas: Na Hora do Almoço (nossa música 1) e Quem Me Dera.



Belchior já havia sido programador de rádio, em Sobral, antes de partir para Fortaleza. Assim, o filósofo e quase médico deu lugar ao cantor e compositor facilmente. Ainda em Fortaleza, ele conheceu Fagner, Ednardo ("Pavão Misterioso") e outros, formando o "Pessoal do Ceará". Em 1971, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção Na Hora do Almoço, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, com a qual estreou como cantor em disco. Em 1973, gravou nossa música 2: A Palo Seco.



Em 1972, Ellis Regina gravou uma composição de Belchior: Mucuripe (também sucesso na voz de Fagner). Esse foi um impulso ao cantor, que logo começou a gravar mais. Após dois compactos (1971 e 1973), Belchior gravou seu primeiro disco em 1974. Nele, os sucessos A Palo Seco, Todo Sujo de Batom e Na Hora do Almoço. Em 1976, um de seus melhores discos: Alucinação, de onde tiramos nossa música 3: Apenas Um Rapaz Latino Americano.



Alucinação foi o segundo álbum de estúdio de Belchior, sendo lançado em 1976 pela Polygram (atual Universal Music). Nele, os sucessos que consagraram o cantor, como "Apenas um Rapaz Latino-Americano", "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida" (nossa música 4). Graças a esses hits, o álbum vendeu 30 mil cópias em apenas um mês. No total, o álbum vendeu mais de 500 mil cópias, consagrando-o como um ídolo de massa. E ainda tinha Elis Regina...



Como Nossos Pais é, sem dúvida, a música mais conhecida de Belchior, e muito do mérito se deve à Elis Regina, que a incluiu em seu espetáculo Brilhante e no disco homônimo. A interpretação dela e a letra contundente, em plena Ditadura Militar, fez com que essa canção se tornasse quase um hino, no mesmo nível de Caminhando e Cantando (de Geraldo Vandré) e O Bêbado e A Equilibrista (de João Bosco). Nossa música 5 é essa...



Em 1977, Belchior gravou o disco Coração Selvagem, com os sucessos Paralelas (nossa música 6, que fez sucesso na voz de Vanusa) e Galos, Noites e Quintais, entre outras. Ainda nos Anos 70, ele gravou Todos os Sentidos (1978), Era uma Vez um Homem e Seu Tempo (1979) e Objeto Direto (1980).



Nossa música 7 é Galos, Noites e Quintais. Nos Anos 80, Belchior gravou quatro discos: Paraíso (1982), Cenas do Próximo Capítulo (1984), Melodrama (1987) e Elogio da Loucura (1988). Em 1983 fundou sua própria produtora e gravadora, Paraíso Discos, e em 1997 tornou-se sócio do selo Camerati.



Nossa música 8 é Divina Comédia Humana, do disco Todos os Sentidos, de 1978. Nos Anos 90, Belchior gravou seus últimos discos: Divina Comédia Humana (1991), Baihuno (1993), Vício Elegante (1996) e Autorretrato (1999). Em 2005 separou-se de sua então esposa Ângela, para viver com Edna Prometheu. Posteriormente Belchior deixou de fazer shows e abandonou bens pessoais. Enfrentou processos judiciais relacionados a pensões alimentícias de duas filhas e um processo trabalhista. Devido a esses processos, Belchior teve suas contas bancárias bloqueadas e estava impedido de retirar o dinheiro relativo aos direitos de suas músicas. O cantor se encontrava em Porto Alegre, onde morou em hotéis, casas de fãs e mesmo em uma instituição de caridade.



Nossa música 9 é Medo de Avião, de 1979. Em 2009 a Rede Globo noticiou um suposto desaparecimento do cantor. Segundo a emissora, Belchior havia sido visto pela última vez em abril de 2009, participando de um show do cantor tropicalista Tom Zé, realizado em Brasília. Belchior foi encontrado no Uruguai, onde concedeu entrevista para o programa Fantástico. Nela, o cantor revelou que não havia desaparecido e estava preparando, além de um disco de canções inéditas, o lançamento de todas as suas canções também em espanhol. Em 2012 ele novamente desapareceu, juntamente com a sua mulher, de um hotel 4 estrelas na cidade de Artigas, no Uruguai. Deixou para trás uma dívida de diárias, além de objetos pessoais. Ao ser identificado passeando por Porto Alegre afirmou que as noticias sobre a dívida no Uruguai não seriam verdadeiras.



Nossa música 10 é Comentários a Respeito de John, de 1979. Belchior morreu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos, na cidade de Santa Cruz do Sul e o governo do Ceará emitiu uma nota de pesar. A causa da morte foi um aneurisma da aorta, a principal artéria do corpo humano. O governador do Ceará, Camilo Santana, decretou luto oficial de três dias, providenciando o traslado do corpo, garantindo assim, o desejo do cantor de ser enterrado no Estado do Ceará, sendo velado em Sobral, sua cidade natal, e sepultado em Fortaleza.







sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

UMA VIDA NO SÉCULO XX

Como seria a vida de uma pessoa, no Século XX? Imaginando-se que ela nascesse em 1901, em 1904 ainda seria criança, na Revolta da Vacina, e nem entenderia, quando falassem que Santos Dumont conseguiu voar no primeiro avião, em 1906. Se, em sua casa, houvesse jornal, ela poderia saber que em 1912 o Titanic afundou, e que em 1914 começou a Grande Guerra, depois chamada de Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918).
Também poderia ouvir falar da Revolução Russa, mas aos 17 anos não entenderia o que era Socialismo, e nem porque matariam a Família Real da Rússia. Talvez nem soubesse o que era uma Família Real, já que vivia numa República, que havia expulsado a nossa Família Real em 1889.
Se escapasse da Gripe Espanhola, chegaria aos Anos 20, e poderia assistir aos filmes de Charles Chaplin, no cinema, que ainda era mudo. Mas, provavelmente, já estaria trabalhando para se sustentar, como muitas pessoas, nessa idade. 
Aos 29 anos, essa pessoa saberia que Getúlio Vargas fez a Revolução de 30 e, graças a ele, as pessoas agora começariam a ter “direitos trabalhistas” como Carteira de Trabalho, Férias, etc. E também, se ganhasse bem, poderia comprar seu primeiro rádio, para ouvir as notícias, radionovelas, propagandas e as últimas músicas de Carmen Miranda e Francisco Alves.
Nosso personagem teria 38 anos, quando começaria a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) e 44 quando ela acabasse. Provavelmente, já teria filhos, alguns chegando aos 20 anos, pois casava-se cedo e tinha-se vários filhos. Um dos filhos homens correria o risco de se juntar à FEB – Força Expedicionária Brasileira, e lutaria na Itália, deixando os pais preocupados. As filhas mulheres, poderiam trabalhar fora, ou apenas se preparar para o casamento, como previa a educação, nos tempos de Vargas.
Depois da Guerra, nosso personagem veria a renúncia e a volta de Vargas, bem como seu suicídio, em 1954. E, não entenderia nada, quando Kubitschek resolvesse mudar a capital para Brasília, na Região Centro-Oeste. Nessa época, essa pessoa estaria mais preocupada em controlar os filhos, que estariam às voltas com os netos, que iriam querer frequentar os “bailinhos” onde se dançava o rock'n'roll, que aqui era chamado de iê-iê-iê. Provavelmente, essa pessoa iria se escandalizar, ao saber que um tal de Elvis Presley “requebrava os quadris” quando dançava. Seus filhos, já na faixa dos 30 anos, iriam gostar de filmes de Alfred Hitchcock e músicas de Glenn Miller, mas seus netos iriam se inspirar em James Dean e Marilyn Monroe, Marlon Brando e Brigitte Bardot.
Aos sessenta e poucos anos, nosso personagem iria achar certo que os militares tomassem o poder, e o tal “comunista” João Goulart saísse, já que todos diziam que ele não prestava para governar. E talvez, discutisse com os netos, que pensavam justamente o contrário. Mas, se tivesse um neto “mais rebelde”, iria rezar para que ele não se envolvesse com essas questões políticas. E iria achar estranhos os cabeludos Roberto e Erasmo Carlos, Caetano Veloso e a tal Rita Lee, que “nem parecia brasileira”. Os hippies, os maconheiros, a minissaia e a pílula anticoncepcional deveriam ser coisas de outro planeta, para essa pessoa. E, quando o homem pousasse na Lua, em 1969? O que dizer? Seus filhos, com mais de 30 anos, talvez tentassem lhe explicar que as imagens na televisão eram reais, mas deveria ser difícil para ele acreditar...
Depois, viriam os Anos 70, a Guerra Fria, a Guerra do Vietnã, os Anos 80, o fim da Ditadura (que nosso personagem diria nem ter notado), os netos ouvindo rock em português, dizendo que uma tal de Legião Urbana e Titãs eram muito bons de ouvir, e nosso personagem iria começar a se perguntar quando iria finalmente “descansar” de toda essa loucura que foi o Século XX...